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Histórias de Vida

Escrevam para catarinaportela86@gmail.com e conte sua a história da sua vida.

Histórias de Vida

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Esclerose Múltipla - História de Vida de Paula Branco

 lágrima

 

Hoje era mais um dia. Um dia de rotina em que eu própria o tornava especial, deliciando o mundo à minha volta com gargalhadas e boa disposição.

Hoje era mais um dia. Um dia em que todos os sentidos acordavam para me proporcionar um óptimo dia. Andava, falava, escutava, sentia, via, cheirava e não me faltava nada.

Mas hoje, algo mudou. O meu olho direito tinha um sol que brilhava de tal forma que não me deixava ver nada que estivesse na parte central, mas nem uma dor me incomodou. Chamam-lhe vulgarmente de “flash”, o meu primeiro sintoma.

Corri de médico em médico e de hospital em hospital, onde me foi detectava uma “ nevrite (ou neurite) óptica central é uma inflamação do nervo óptico, o nervo que é responsável por levar a informação do olho até ao cérebro – Uma inflamação que pode causar uma perda parcial súbita da visão do olho afectado.”

Mas não era só uma neurite central… A vida teimava em por à prova a minha resistência.

Seguiram-se semanas de exames e exames, todos eles diferentes. E Eu? Eu continuava a sorrir, alheia a qualquer problema grave. Animava a sala de neurologia, e todos se sentiam melhor. Até eu me esquecia daquele local branco de cheiro a álcool etílico onde passeavam entre eles anjos que nos visitavam com a promessa de nos fazerem sentir melhor.

Dias e dias passaram, até que a visão foi recuperada na totalidade, e tive alta.

Nesse mesmo dia, comunicaram-me que a perda de visão estava relacionada com uma doença. Foi-me diagnosticada Esclerose Múltipla em estado Inicial.

Vocês não sabem nem conseguem prever, o que é acordar um dia a descobrir que o amanha não será nem próximo, do que sonhamos. Vocês não imaginam o que é olharmo-nos ao espelho e imaginar que um dia muitos, senão todos, os meus movimentos serão passíveis de ajuda alheia. Ver a pouco e pouco o corpo a mudar, a mente a perder, os sentidos a partir sem que eu tivesse cometido um erro que me levasse a justificar um possível estado. O mais difícil será o dia em que aparecer de novo um estranho indício que me recorde da notícia que mudou a forma como vejo a minha vida.

Neste momento, nem um sintoma, nem uma forma de me apontarem a doença.

Neste momento, nem eu sei se ela existe, ou se partiu para sempre, da mesma forma que apareceu.

Cai no palco o pano teatral, e fecham-se histórias de horrores. De olhos nos olhos com a realidade, desvio o olhar. De que me serve lembrar a cruz!

Cavalgo por entre a sorte que me foge, e alcanço a tranquilidade que me pertence… Ou pertencia.

 

 

Texto baseada na História de Paula Branco -  http://-cute-.hi5.com. Uma mulher que está sempre a rir, com um rio de amigos enorme, com uma vontade de viver terrivelmente assustadora. Quem a olha cá de fora, não vê o que ela esconde por dentro. São estes momentos em que penso, que se Deus existe, dá certamente aos mais fortes os problemas maiores... 

 

 

“ O que é a Esclerose Múltipla (EM)? É uma doença neurológica crónica, de causa ainda desconhecida, com maior incidência em mulheres e pessoas brancas (pessoas com genótipo caucasiano). Esclerose múltipla é uma doença crónica que afecta o cérebro e cordão espinal. A esclerose múltipla pode causar vários sintomas, incluindo alteração nas sensações, problemas visuais, franqueza muscular, depressão e dificuldades de fala e coordenação. Embora muitos pacientes tenham uma vida plena e recompensadora, a esclerose múltipla pode causar problemas de mobilidade e incapacidade em casos mais severos. Esclerose Múltipla afecta os neurónios, os quais são células do cérebro e cordão espinal que carregam informações, criam o raciocínio e permitem ao cérebro controlar o corpo. Há uma camada de gordura que envolve e protege esses neurónios e os ajudam a carregar sinais eléctricos. A esclerose múltipla causa a destruição gradual dessa camada e a divisão dos neurónios em pedaços pelo cérebro e coluna espinal, o que ocasiona vários sintomas dependendo de quais sinais foram interrompidos. Acredita-se que a esclerose múltipla resulte do ataque do sistema imunológico da pessoa ao sistema nervoso, desta forma sendo caracterizada com uma doença auto-imune.

A fadiga é um sintoma muito frequente e bem conhecido da EM, mas porque pode também ser um sinal de outras doenças, não é imediatamente identificado como sendo causado pela EM. A fadiga se manifesta muitas vezes sob a forma de períodos que podem durar alguns meses, durante os quais a disposição se esgota diariamente, após um pequeno esforço. A fadiga ocorre, quer na EM em forma de surtos, quer nos tipos mais progressivos da doença.

A maioria dos casos é diagnosticada em adultos jovens, sendo raros os diagnósticos em pessoas com mais de 50 anos. Afecta duas vezes mais mulheres que homens (a cada três casos, um ocorre em homem). Na Europa, os países escandinavos são os mais afectados. A presença da doença em um familiar representa uma possível predisposição genética: a probabilidade de se vir a manifestar a doença é 15 vezes maior, neste caso. Estimam-se mais de um milhão de casos mundiais diagnosticados, dos quais 450 mil só na Europa. Em Portugal, há mais de 5 mil casos diagnosticados.

A terapêutica concentra-se nas acções que atrasam a progressão da doença e melhoram a qualidade de vida do paciente pela promoção do alívio dos sintomas.

A Esclerose Múltipla tem cura? Até á bem pouco tempo esta doença não tinha cura nem nada que se pareça, mas em 2006, foi descoberto que um componente da casca de ovo poderia funcionar na cura, mas ainda está em fase experimental em animais.”

Traição - História de Vida

Hoje Sou, o que Ontem não fui


 

Resvalei pela estrada da vida, onde percorri jardins que não eram meus, mas a tua cor escura e o teu olhar de mel, agarrou-me para sempre, sem jeito, sem defeito, sem local, em vida irreal.

Prometi lares, em diversos olhares e nasceu vida de onde nunca imaginei. Com medo, obrigação e consciência agarrei o dever. Triste inocência, que me via crescer.

Recuas-te, como te compreendia! Vergonha era o sentimento que deveras conhecia.

Apareces-te paulatinamente, como se fosses chuva no meio de um deserto de necessidades, e subsistiu uma flor no meio da insignificância do meu ser.

Contemplávamos de novo o Nada que existia, e o Tudo que sonhávamos ser um dia! De olhos postos no momento que nos agregava, partíamos separados para os lares que demolíamos. Procurava no Além a resposta, a luz, a melodia, o sussurro que me indicasse o sinal que ansiava.

Por muito que contrariasse o destino, Deus colocava-te sempre em meu caminho. Deixei tudo o que tinha traçado, deixei o passado guardado em baú, deixei as palavras que rasgavam como facas. Peguei na tua mão, guardei-te em meu coração, e nunca mais soube onde morava a tristeza.

Escrevi as linhas que estavam gravadas desde o dia em a luz te iluminou naquela igreja.

Hoje sou, o que ontem não fui. Apenas teu, e tu, apenas minha.

Melhor que tudo isso é sermos finalmente, um só…

 

(Texto baseado na vida de “Horácio”, nome fictício. Destaco entre o enorme texto que recebi, a força que este homem teve de agarrar o amor antigo, e conseguir parar a sua tristeza assumindo a mulher que mais amou, mas que guardava às escondidas por ser casada e com filhos, e ele, por ser casado e com filhos… Uma história de vida, onde a traição foi assumida, e teve certamente um final feliz, e justo para todos, visto que é impossível viver feliz na mentira.)    

Anorexia e Bulimia - História de Vida


 

 

Deixei a minha vida quando me agarrei aos números rodeavam a minha mente. Deixei a porta fechada para todos os que me tentavam ajudar, e escondi-me por detrás de um mundo que só a mim me pertencia. Ninguém tem que sofrer por mim!

O espelho não retribuía a imagem que eu desejava. Ria-se de mim, e eu convencida de que um dia veria, tudo o que sempre quis reflectido no vidro. A luta contra mim, é sempre maior do que a luta travada como mundo exterior!

 

Deixei de comer porque o meu treinador me pediu apenas para perder dois quilos, afinal a competição de andebol estava a começar.

Dois quilos foram dez, que passaram a 20, e perdi 26 quilos. O pouco que comia, vomitava, o meu corpo não suportava a comida! Como se não bastasse, nunca dispensei o exercício físico.

De 62 kg, e 1, 74m de altura, passei a pesar 36 kg!

 

Perdi bem mais do que quilos. Perdi amigos, namorado, a confiança dos meus pais, perdi os estudos!

A família entrou em dificuldades para me ajudar. Oceanos de dinheiro perderam-se em oito anos. De Anorexia, passei a praticar Bulimia, escondida dos pais, com esquemas que vocês não imaginam.

 

O que mais custou?

Ver, ouvir, sentir a minha mãe a fazer os impossíveis para me agradar na comida. Eu a passar pela mesa, trancar-me no quarto sem a olhar de frente. Quantas não eram as vezes em que me doía o coração só de a ouvir a chorar à mesa.

Quando comecei a tentar comer, o corpo rejeitava. Todo o esforço que a minha mãe tinha para me agradar, era em vão.

 

Hoje escondo a bulimia que resta, mas recuperei muito do que perdi. Tenho o peso normalizado, e vivo a minha vida melhor do que antigamente, mas sempre oculta atrás do medo do passado.

Adormeço todos os dias a pedir que tenha terminado. Peço por mim, por todos os que me amam e se esforçaram para eu ganhar a guerra.

 

Perdida neste mundo tão nosso, desfaço lágrimas para construir diamantes. Um dia verei uma enorme riqueza reflectida em mim.

O amor-próprio.

 

História de Vida de "Renata" - Nome ficticio

 


Traição - História de Vida

Dois Amores

 

 

 

Caí por Terra à espera que me desses a mão. Questionei o porquê daquele sentimento que destrói a ilusão, e não tinha razão de existir, pois tantas eram as desigualdades entre nós!

Lutei para que todos os nossos espaços fossem apenas um, e perdi-te pelo tempo que andei a dispensar num conjunto que não existia.

Fui embora sem saber porque fiquei, se sou tua, ou se errei.

 

Talvez porque sei amar, mas não sei quem me merece.

É Aquele que conta mentiras, enquanto me beija a pensar em outra mulher?

É Aquele que se afasta de mim cronologicamente. Será que brinca, que se aproveita, que luta, que me beija a mim, para alem do corpo em que toca?

 

A solidão é confusão na minha mente, que me pede insistentemente para voltar a amar alguém! Perdi-me nas vozes que rondavam a razão, e me sussurram hesitações sobre o meu sentimento. Pressentimento de que tudo não termina, sem realmente ter começado.

 

Acomodei-me no amor antigo, não porque deseje mais, não porque ame mais, mas porque o amo de forma diferente. Camuflei as marcas profundas que tinha deixado o logro da louca e fugaz paixão. E esperei paciente aquele dia em que sorrimos com certezas… Mas esse dia tardava a chegar.

 

Talvez porque me amo, sem saber quem me merece.

 

Ouvi o eco da vida, que trazia de novo a maturidade terna, e cedente de um desejo sem fim.

 

- Voltas-te?! E Agora?

- Quero-te!

- Não!!! Vai-te embora.

- Não me desejas?

- Não posso!

- Mas queres…

(e no silêncio uniram-se os corpos calados, novamente...)

 

Voltou enquanto beijo outra pessoa, enquanto toco em outro corpo.

Voltou para que desfrute duas vidas, e me desfaça em pedaços por sentir que sou Ninguém.

 

Talvez porque tenho amor para dar, sem Ninguém o merecer.

 

 

 

(História de vida de "Susana" - Nome Fictício)

 

Anorexia e Bulimia

Antes eras mais que uma imagem...

 

É um traço de pele, que não desaparece do corpo que se acusa monstruoso.

É a comida que olha como quem fosse aumentar números à balança.

É um terno e ambicioso desejo de Ser melhor do que quem veste um 34 ou um 36!

É a loucura do exercício físico, que parece não terminar. 

 

Só quem a olha é que vê a exaustão e o tédio daquele Ser, é que se entristesse ao entender, que ele se  olha ao espelho sem se Amar.

Um mundo paralelo ao que caminhamos, que em silencio esconde dos Pais e Amigos, mentindo acerca da sua própria alimentação. Quando eles só estão ali para ajudar.

 

Mas a mente de quem sofre, diz apenas que “Eles não sabem”, “Eles não compreendem”, "Eles não sabem o que é Ser gordo(a) e ser discriminado(a)”…

Acreditem que “Eles” sabem sim, o que foste, e o que És. Têm a certeza que hoje és infeliz com a loucura do peso, e quando o peso não existia, “Eles” brilhavam só com o teu sorriso inocente, que não conhecia o mundo, mas também não conhecia a discriminação!

 

Pensa nisto menina sem nome, que te escondes atrás de um véu de vergonha, não por seres gorda, magra, ou apenas viciada em exercício físico. Escondes-te só porque não És feliz dessa forma, e essa forma não é física. É Psicológica!

Pensa nisto menino que sobrevive com medo que os fantasmas do passado se apoderem de novo do teu dia-a-dia. Pensa que antes, choravas sem saber porque te reprimiam.

Hoje choras, e sabes porquê, sem saber porque continuas...

 

 

 

 

 

 

Pode Ser que o Fantasma da Reflexão volte com mais vontade de vos contar histórias de pessoas que precisam de ajuda. Pode Ser que My Way, mais uma vez queira lutar convosco. Em memória ao meu antigo blogue http://cat_3105.blogs.sapo.pt/

Desejo contar histórias de vida, de luta, de sofrimento. Ambiciono um lugar não de factos e informação, mas sim de partilha e entreajuda a todos o que desejarem partilhar a sua vida, Anonimamente ou não.

Aqui vos espero, para sofrermos todos juntos...

Porquê? Apenas porque assim custa muito menos ultrapassar as barreiras da vida...