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Histórias de Vida

Escrevam para catarinaportela86@gmail.com e conte sua a história da sua vida.

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Um Adeus a José Saramado

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Poema à boca fechada


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

 

José Saramago

 

 

(E morreu certamente sem dizer tudo... Uma mente brilhante, que desafia em palavras tudo e todos. Dono do prémio Nobel da Literatura em 1998 com a obra de Memórial do Convento, que tive o prazer de ler...)

 

 

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