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Histórias de Vida

Escrevam para catarinaportela86@gmail.com e conte sua a história da sua vida.

Histórias de Vida

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Guardada no Horizonte

 

 
Havia um tempo em que o mar corria para te agarrar. Não podias fugir, não te podias defender, só te podias esconder das luzes suaves que te iluminavam, tornando-te transcendente.
Reflectidas em teus cabelos, parecia magia. Quadro eterno pintado na memória.
Permanecias quieta, durante o tempo que fosse necessário, para todos desistissem de ti. Não querias explorar locais desconhecidos, não te querias perder para sempre. Ficavas somente à espera…
 
Havia um tempo que nadavas de uma forma que parecia não ser mito. Onde a tua beleza não era eterna. Como podia algo tão belo durar para sempre?
Eras somente mortal, a aproveitar o momento de maior louvor. A tua lembrança era de tal forma marcante, que era relembrada vezes sem conta ao longo do dia, e os minutos calculados só para te ver.
 
Havia um tempo, que o teu olhar cortava como lâminas acabadas de serem afiadas, matavam mais que a guerra.
Guardadas no oceano, bem perto da linha do horizonte, as lágrimas de sangue, reflectem uma tonalidade quente, repleta de laranjas expressivos e amarelos quase ofuscantes e pequenas manchas vermelhas, tudo para te recordar.
Em tua homenagem, lenda viva da inocência.
 
Não houve mais tempo.
 
Metade de ti foi-se quando te encontraram ancorada, quase sem forças para continuar a viver.
Diz a lenda que o único homem por qual te apaixonas-te, saiu do oceano para nunca mais voltar. Sem explicação, sem um fim.
Percorres-te locais secretos onde ainda se sentia o desejo e o barulho do amor.
Percorres-te os navios submersos, e a Atlântida esquecida, onde as recordações ainda te faziam brilhar por entre olhares tristes…
 
Esperou à hora habitual, dias, meses, anos. Já ninguém admirava a tristeza. Já ninguém se aproximava da amargura. E todos desejavam tanto quanto ela, que Ele voltasse de novo para seus braços, para que a beleza etérea dela reinasse de novo nos oceanos.
 
Mas a paixão não voltou…
Foi encontrada no local habitual, pálida, sozinha.
Olhares escondidos viam-na elevar-se. Nem um se mexeu, nem um a agarrou, nem um lutou por ela. Nem um fez a diferença…
Os cabelos escuros contrariavam a tonalidade clara e transparente da luz que cada vez mais se aproximava.
 
Olharam-se os cobardes.
Calaram-se lágrimas e esperanças.
Esqueceu-se o brilho que um dia existiu.
 
Somente o horizonte recordava, dia após dia, que a tua beleza celeste que um dia existiu.
 
Tudo porque te deixaram sem um adeus…
Tudo porque ninguém te deu a mão…
Tudo porque não foste capaz de calar teu coração.

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